Arquivo | junho, 2010

NDesign e o Largo da Ordem

27 jun

Então você fugiu do evento um pouquinho e quer fazer algum roteiro turista em Curitiba? Já falei sobre o Mon e região… também temos uma coleção enooorme de parques e bosques, mas o meu passeio favorito é o Centro Histórico, no bairro do São Francisco, mais conhecido pelos curitibanos como Largo da Ordem. Tudo fica pertinho, então você não gasta muito tempo do seu dia e é barato, mesmo que você resolva entrar em um museu ou outro – a entrada ou é franca ou não passa dos R$5 para estudantes. Mesmo se você quiser esticar o programa num dos bares da região não é lá muito caro dependendo da escolha, que varia de bares arrumadinhos aos botecões de rua, pra quem gosta.

Ali se encontram parte dos prédios mais antigos da cidade. Começando do alto do Largo, na praça João Candido, você pode ver o Reservatório do São Francisco, erguido na área mais alta da cidade, em 1908; o Belvedere, de 1915, que já foi um observatório astronômico; as ruínas da inacabada Igreja de São Francisco de Paula, de 1811. Do outro lado das ruas fica o Museu Paranaense, um construção linda e que vale a visita para quem gosta de acervos históricos.

Descendo um pouco, na praça Garibaldi, estão o Palácio Garibaldi, o relógio de flores e a Fonte da Memória, mais conhecida como Cavalo Babão. Tá, todo mundo sabe que ela é meio… esquisita. Mas você se acostuma e passa a gostar desse cavalo agonizante que verte água por debaixo da língua…

Andando mais um pouco você vai ver as três igrejas da região, a Igreja do Rosário, que na época foi construída por e para os escravos, a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, de 1737, que abriga o Museu de Arte Sacra de Curitiba e a Igreja Presbiteriana Independente.

A parte mais baixa do Largo da Ordem é um grande calçadão, ladeado de casas transformadas em bares, casas de artesanato e galerias. Os bares mais famosos da região são o Bar do Alemão, com seu submarino de steinhaeger (os copinhos são pra levar, pode afaná-los sem culpa) e o Sal Grosso, logo ao lado, mais simples, mas muito bacana. Dependendo da época, você ainda pode assistir uma peça no TUCA, descendo as escadas que levam para o outro lado da rápida, ou ver alguma exposição no Memorial.

Se você resolver ir no domingo de manhã, vai conhecer a feirinha do Largo, com muitos expositores de artes, artesanato, barraquinhas de comidas, exibição de carros antigos e, vez ou outra, personalidades de Curitiba como o Pla.

O São Francisco é um bairro muito bacana… além dos pontos turísticos há vários bares, cafés, lojas e casas noturnas… mas isso fica para o próximo post!

*fotos retiradas dos sites agenda-digital, skyscrapercity, aviagemoficial e trak-skizo

Vistos: México

20 jun

Muitas pessoas não sabem, mas para ir ao México é necessário visto. O país pede visto para todos os lugares que os EUA pedem, porém são muito mais atenciosos, práticos e rápidos do que o consulado americano. Começando pelo preço! Enquanto o consulado americano pede R$ 38 para agendamento de entrevista, mais os US$ 131 do visto em si e por fim os R$ 50 de sedex para enviarem o passaporte (esse preço varia de cidade a cidade, aqui pro Sul é esse valor), o consulado mexicano cobra apenas US$ 36 (R$ 69) pelo visto, sem cobrança de agendamento ou sedex, pois podemos retirar no mesmo dia. O único incômodo é o de ter que ir a São Paulo.

Os documentos necessários são os básicos:

1. Formulário de solicitação de visto L1 gerado través do sistema de agendamento eletrônico preenchido e assinado, com uma fotografia atual 3×4.

2. Passaporte com validade mínima de seis meses assim como Xerox das páginas onde aparece a firma e os dados pessoais e (caso seja aplicável) original e cópia dos vistos válidos para outros países incluindo original e Xerox dos vistos mexicanos prévios.

3. Declaração Anual do Imposto da Renda (original e Xerox)

4. Um dos seguintes documentos: (original e Xerox)

a) Carteira de trabalho

b) Holerites (dois últimos meses) no caso de empregados registrados

c) DECORE: Declaração Comprobatória de Percepção de Rendimentos (dois últimos meses) no caso de autônomos e profissionais liberais

d) Comprovante de movimentação de cartão de crédito do último mês e comprovante de movimentação da conta bancária do último mês

e) Escritura de Imóveis

Como eu disse antes, eles são bem mais flexíveis, e não tem problema se esquecer um xerox ou outro, eles te liberam para ir até uma banquinha na esquina para providenciar isto. Além disso, a “mocinha” que dá as instruções antes da entrevista é super simpática, e mesmo que falte algum documento, não há grandes problemas. Quando fui tirar o meu teve gente que tinha escrito “negócios” ao invés de “turismo” no formulário, e eles disseram que não tinha problema, era só riscar e escrever do lado.

Depois dessa primeira parte de organização dos documentos, eles separam as pessoas em dois grupos: os que não tem visto pros EUA e os que tem. Quem não tem o visto, tem que encarar uma entrevista, mas os que tem já vão direto na pesa da Consulesa (que fica logo ali do lado do balcão), mostram os documentos, os quais ela apenas dá uma olhada e não fica verificando dados e tudo o mais, e já na seqüência ela libera para tirar a foto do visto, em uma outra salinha ao fundo.

Porém, a partir de abril deste ano, quem já tem o visto americano não precisa mais tirar o mexicano. Pode entrar no país – para turismo – numa boa!

Depois disso, é só sair para pagar o visto em qualquer agência do Banco Real (tem uma relativamente próxima ao consulado, mas eu tive o azar de chegar lá e não estar funcionando o pagamento pro visto, e tive que ir até a Paulista e voltar!!), e ir retirar o passaporte das 15h às 17h30.

Mais fácil do que esse visto, só se não tivesse que tirar visto!!!

Além do que, o consulado fica no bairro Jd. Europa, cheeeeio de casas lindas e um ambiente super agradável, bem diferente do consulado americano… que todo mundo morre de medo!!

Para maiores informações sobre os vistos mexicanos, clique aqui.

Próxima parada: México

18 jun

Atenção, você está lendo este post com 1 dia e meio de atraso, pois a próxima parada será surpresa para uma pessoa, e ela eventualmente lê este blog. Imagina guardar segredo durante 4 meses e um dia antes estragar tudo??

Então tá. É isso, estou indo hoje (17) para o México!! Faz uma semana que não durmo, sempre quis conhecer o país, adoro a cultura deles e a comida… ahhhh a comida… AMO! Junte tudo isso ao fato de reencontrar grandes amigos. Ansiedade? Imagina.

Enquanto aqui estamos vivendo com 2 graus, lá está fazendo 38. Oi choque térmico? O bom disso é que dá pra levar bem mais coisa na mala, porque roupa de verão não ocupa espaço. Será que vai caber o sombrero que quero trazer?? Não perca os próximos capítulos!

Enfim, por enquanto vou passar por Guadalajara, Guanajuato, Tequila, Puerto Vallarta, Chapala, Lago Tlaquepaque, Cidade do México, Acapulco, Taxco e Oaxaca. Na verdade é bem provável que aconteçam algumas mudanças no cronograma, mas é meio que isso.

Vou tentar atualizar o blog sempre que possível, mas né, acho que estarei curtindo demaaaaaais por lá! Vou anotar tudo e depois conto aqui. Serão 16 dias (mini férias, iei) regados a muita tequila, pimenta e mariachis!!!


Ah! Amanhã posto sobre o visto mexicano, porque sim, eles pedem visto para todos os países que os EUA pedem, só que é infinitamente mais tranquilo, fácil e barato do que o americano, nem dá toda aquela preguiça e tal…


Promoção Você Faz a Festa – GOL – Mês de Julho

16 jun

Vocês lembram desta promoção?

Então, ela continua!

As cidades fazem aniversário, você vai pra lá (de GOL) e só paga a volta!

Os destinos aniversariantes do mês de julho são:

Córdoba: 06/07.

Boa Vista: 09/07.

Campinas: 14/07.

Imperatriz: 16/07.

Juazeiro do Norte: 22/07.

Caracas: 25/07.

Já sabe, né, programe-se e comemore viajando!

Mais informações aqui.

El Palacio de La Papa Frita

15 jun

Ok, esse é só um dos restaurantes mais antiguinhos e ótimos da capital de nossos hermanitos! Fui jantar por lá as duas vezes que estive na cidade, e em um espaço de tempo de 6 anos, continua igualzinho!

O restaurante tem 4 filiais, mas só fui na da Lavalle 735. Esta rua é uma transversal com a famosa Calle Florida, então vale a pena sair um pouco antes de casa, dar uma volta na Florida e acabar lá no Palacio.

O que servem lá? Bom, tem bastante opção, mas o mais pedido é sempre o bife de chorizo com as famosas papas fritas, maravilhosamente deliciosas! Tem uma opção que você pede esse prato e com ele acompanha uma bebida e uma sobremesa que você escolhe. O preço é bem amigável também, essa opção sai por R$ 25, mais ou menos. Baratíssimo!

Em épocas de feriadobarraférias o restaurante fica assim… entupido. Chegamos ás 21h45, pegamos uma das últimas mesas! Quando saímos, por volta da meia noite e pouco, tinha gente lá fora esperando mesa.

É possível fazer reservas, o hotel pode ligar e reservar, ou você pode fazer pelo site mesmo.

Acredite, esse restaurante vale a pena e já é ponto turístico!!

Novas regras para voos – ANAC

15 jun

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou nesta segunda-feira que entrou em vigor, no domingo (13), a resolução que amplia os direitos dos passageiros de avião no caso de atrasos, cancelamentos ou prática de overbooking, quando as empresas vendem mais bilhetes do que a capacidade da aeronave.

Quando da publicação do texto no Diário Oficial, em 15 de março, a Anac informara que as novas regras entrariam em vigor nesta terça, dia 15 de junho. A agência, no entanto, refez as contas e informou que as regras passaram a valer no domingo.

Agora,  companhias aéreas estão obrigadas a reembolsar de imediato o valor da passagem no caso de atrasos superiores a quatro horas ou cancelamentos de voo (quando o consumidor solicitar), mesmo quando não forem diretamente responsáveis, como em razão de condições climáticas desfavoráveis.

Leia a notícia completa no portal G1.

Visto EUA – Entrevista

14 jun

Eu não poderia deixar de dividir isso com vocês. Até porque eu estava num estado de nervos indescritível. Normalmente, eu sou o tipo de pessoa que fica ansiosa com tudo. Planejo uma viagem com meses de antecedência – enquanto meu namorado compra uma passagem pra Londres numa quinta-feira, compra um guia na sexta e sábado está embarcando. Simplesmente NÃO CONSIGO ser assim. E, no caso de uma viagem para os Estados Unidos – caso você não tenha visto ou esteja vencido – não dá pra ser assim “na louca”. Eu e uns amigos vamos para lá em setembro, então resolvemos regularizar a situação. Preenchemos a guia no site do Consulado  em meados de maio e marcamos a entrevista para o dia 10 de junho. Passamos a semana organizando nossa documentação e fazendo nosso checklist, pagamos a taxa no Citibank (só pode ser neste banco) no dia 08, e, no dia 09 de noitão, saímos de Curitiba rumo a São Paulo – eu, Vítor e meu pai, Fabião, nosso motorista!

Eis aqui então o relato da nossa experiência / aventura:

Pegamos a estrada por volta da meia-noite, já com tudo certinho – carro abastecido, documentação em ordem, bebidas na geladeirinha, cookies, salgadinhos, tudo pra disfarçar a angústia que sentíamos. Meu pai, é claro, tava susse. Fomos grande parte da viagem falando besteiras, amenidades, piadas, programas jacus de TV que a gente a-do-ra……Dormir? Nada! Eu simplesmente não conseguia, até porque tem seis pedágios de R$1,50 na ida e eu, como copilota do Fabião, tinha que estar ligada pra pegar o dinheiro. Vítor dormiu altas vezes com a boca aberta, cena ótima que não me perdôo até hoje por não ter fotografado.

No meio do caminho, na altura do município de Registro, paramos no Graal pra comer um pão de queijo e sermos felizes. Retomamos a viagem e, finalmente, consegui dar umas cochiladas. Chegamos em Sampa lá por umas 5 da manhã e começamos a ver os mapas pra saber exatamente onde deveríamos entrar. Quem conhece São Paulo sabe o quanto aquela terra é complicada e, às 5 da manhã de uma quinta-feira, o trânsito já está frenético. Meio que nos perdemos, mas aí demos de cara com o Market Place e o Shopping Morumbi – ambos os quais conheço muito bem – e chegamos à rua do Consulado. Mas estávamos muito pra frente e a rua é de mão única. Foi um parto dar a volta e achar uma rua que permitisse o retorno.

Porém, às 5:40, estávamos estacionados na frente do Consulado, MESMO. Do carro, víamos a fila se formando, para a entrevista das 7:00. Meu pai aproveitou pra dar uma cochilada e eu, para surtar mesmo. Levantei, estiquei as pernas, me maquiei, tomei chá……tudo na neura. Às 7:55, saímos do carro, rumo ao portão e à nossa entrevista, marcada para as 8:30 (na agência/operadora onde trabalho, instruíram-me para chegar meia hora antes apenas, porque antes disso só tumultua e, dependendo do dia, não deixam entrar). Dica: não levem nada, somente a pasta com documentação e a carteira com dinheiro e tal. Por quê? Porque não pode. Logo na entrada, um policial gritava: “Senhores, é proibida a entrada com chaves, celulares, câmeras, pinças, canivetes, bombas (brinks!), e tudo o que for de metal. O Consulado dos Estados Unidos não disponibiliza guarda-volumes. Obrigado!”. Fácil perceber que não. Em todos os lugares ali havia um banner escrito “Guarda-volumes lacrado. R$ 5,00”.

Não pegamos fila nenhuma (sorte!) e já fomos entrando pelo portão. Uma policial conferiu nossa guia de confirmação de agendamento – a que tem a foto – (dica n°2: leve tudo impresso; só pedem a guia de confirmação, mas levem tudo, para evitar aborrecimentos; uma garota do nosso lado teve que correr numa lan house ali na frente pra imprimir…..), o nosso comprovante de pagamento do Citibank e o passaporte. Entramos.

Fomos para a segunda policial – a qual defino como o tênue limite entre o rude e o objetivo – que grampeou na guia o comprovante de pagamento e a foto 5X7, além de solicitar que escrevêssemos nosso CPF numa linha verde que ela desenhou (dica n°3: levem caneta, de preferência, aquelas de escrever em cd, porque vocês terão que escrever no envelope plástico do Sedex depois). Nos mandaram seguir uma linha verde no chão. Preciso dizer que me senti em Auschwitz? Ok. Pessoas entravam de duas em duas. Vìtor entrou na frente e nos separamos. Menos de 10s depois eu entrei, então nem deu tempo de eu me apavorar e achar que ele havia sido mandado pra câmara de gás. Passei por um detector de metais e por outra policial e minha pasta passou pelo raio-x. Não fui denunciada por nenhum dos meus piercings: nada apitou. Seguimos pela linha verde.

Lá é tudo aberto e estava um frio horroroso, no maior esquema Curitiba. À esquerda, uma cantina fofa e o tão desejado banheiro. Fomos correndo. Mal entrei e havia uma guria aos berros, chorando porque lhe haviam negado o visto. A mãe a consolava: “Calma, filha, você vai em outra oportunidade”. Será que me desesperei? Até que não sabe. Meu caso era mais simples e eu estava super munida de documentação de vínculos. Contudo, não vou dizer aqui que estava me sentindo segura. Não MESMO. Até quem já teve visto anteriormente pode ter uma renovação negada. Difícil, mas acontece.

Saímos de lá, contei pro Vítor o que havia acabado de presenciar e ele arregalou os olhos cariocas dele. Falar, que é bom, nada. Quem conhece o Vítor sabe que ele não fala, mas quando o faz, consegue ter o humor mais sagaz e divertido do universo (migo, cinquentinha por essa, vlw).

Chegamos ao pavilhão. À esquerda, entramos numa fila por ordem de chegada. Havia vários banners com instruções de como tirar as impressões digitais e como seguir a sequência do procedimento total. Nós, como bons designers, rimos das SPPs – sequências pictóricas de procedimento- e das representações em geral, mas no final, achamos tudo válido. Separava por números e cores, simples e fácil de entender, embora esteticamente desfavorecido – feio mesmo, devo dizer.

Uma loira me atendeu e gritou: “Motivo da viagem?”. Não era hora pra brincar né, embora minha vontade era dizer: “Não é da sua conta, inxirida”. Respondi: “Turismo”. Ela perguntou: “Mais alguém da família vai? Algum outro passaporte?”. Respondi: “Não, só eu”. Nessa hora o Vítor estava do meu lado, respondendo as mesmas perguntas (são duas funcionárias que fazem isso). Ela grampeou tudo na capa do passaporte e o Vítor arregalou os olhos cariocas uma segunda vez, só que desta vez ele falou: “Ela grampeou meu passaporrrrte! Doida, furou!”. Hahaha. Também não curti, mas fazer o que né? Melhor do que deixar tudo solto e perder tudo…..Ele pegou a senha 1088 e eu 1089.

Ficamos em pé, esperando o segundo passo: a pré-entrevista. Esperamos uns 10 min. No máximo. Eram dois guichês. O meu guichê estava com problemas e não entendi o que me foi perguntado. Só entreguei a papelada grampeada, ele carimbou e eu saí para o terceiro passo. Aí o Vítor me falou que perguntaram pra ele o motivo da viagem……bom, não ouvi nada, então não respondi nada…..fiquei apreensiva, mas o carimbo do Vítor era igual ao meu. Relaxei.

Conseguimos um lugar pra sentar e esperar o terceiro passo: fingerprints. Lá é assim: existem bancos de praça alinhados, por toda a parte, com almofada plástica, tipo um fouton. Ai você fica lá sentadinho, lendo, esperando a sua vez. Uma funcionária fica passando e entregando o envelope do Sedex. Ela explica como e até onde preencher. Pegamos e preenchemos. Eu e o Vítor ficamos batendo papo (é, ele estava comunicativo…) e, quando olhamos o painel, era a senha dele!!! Havia dois painéis pra impressão digital e o que a gente conseguia ler ainda estava no 1053. Quando conseguimos ver o outro – porque tem uma galera sem noção que fica em pé na frente dos painéis, sendo que a senha deles tá mega longe, que raiva viu….) já era a vez dele! Em seguida, fui eu.

Uma consulesa muito educada me atendeu, falando em espanhol. Sem segredos: primeiro os quatro dedos da mão esquerda no leitor, depois os da mão direita e em seguida os dois polegares. “Obrigada, bom dia” – disse ela sorrindo. Respondi: “Bom dia”, com um sorriso de retribuição. Nesse momento, um funcionário ficava no microfone, mandando as pessoas com senha a partir do 1090 (ufa!) irem esperar lá fora, porque estava muito cheio. Imaginem a confusão.

Saí do terceiro passo direto para um funcionário de colete vermelho, que me indicou um último banco à direita. Detalhe: a fila estava tão grande que começava exatamente onde eu estava……fui até lá, atrapalhando todo mundo, feito uma idiota, pra depois parar no mesmo lugar. O cara simplesmente não sabia instruir ninguém, porque outras pessoas também fizeram isso.

A partir daí, as senhas não valiam mais. Era por ordem de chegada. Foi rápido, mais do que o esperado. De longe, eu vi que tinha um cônsul bonitão, à lá Gianecchini-Cannavarro, e uma senhora com cara de má. Comentei com o Vítor que estava com medo de ir com ela. Adivinhem se não fui? Hahaha. O Vítor foi com o bonitão (porque diabos deixei ele ir na minha frente???). Era agora. Ou eu sairia de lá feliz e pronta pra NY-Montreal em setembro, ou faria o plano B, México ou Grécia.

Cheguei no guichê e ela estava grampeando um passaporte. Olhou pra mim e sorriu. Gostei. Dei bom dia e ela me respondeu sorrindo. Perguntou: “Primeira viagem internacional?”. Respondi “Não”. Ela não perguntou pra onde eu já havia ido.

Consulesa: “Qual o motivo da viagem?”.

Eu: “Turismo”.

Consulesa: “Para qual cidade?”.

Eu: “New York”.

Consulesa: “Linda cidade”.

Tempo…..

Consulesa: “Vai com mais alguém?”.

Eu: “Sim. Meu noivo e mais três amigos”. Nessa hora, meu namorado foi sumariamente promovido…..hahha. Brinks. Estamos juntos há bastante tempo, então nos consideramos casados.

Consulesa: “Você tem o passaporte dele?”. Por essa e outras que não se deve mentir.

Eu: “Sim”.

Mostrei os dois passaportes dele. O antigo, megacarimbado – Egito, Nova Zelandia, Eua, Espanha, Bolívia…..- e o atual, só com o carimbo de Heathrow. Ela folheou, com certeza pra ver se ele já tinha o visto. Levar o passaporte de alguém que vá com você e que já tenha visto ou dos seus pais também vistado é uma supersegurança. Recomendado.

Consulesa: “ O que ele faz?”.

Eu: “É médico”.

E mostrei a cópia autenticada do CRM dele. Como falei, fui munida de toda a documentação do universo que caísse nas minhas mãos.

Consulesa: “Você trabalha?”

Eu: “Trabalho e estudo” e já mostrei meus comprovantes de matrícula do francês e da facul e minha carteira de trabalho.

Consulesa: “Que tipo de Design você estuda? Moda?”.

Eu: “Gráfico”.

Consulesa: “Há quanto tempo trabalha na função?”.

Eu: “Há uns quatro anos, mas estou nesta empresa há oito meses”. Eu tinha os comprovantes de contrato de estágio, pois só faz quatro meses que fui efetivada. Não foi preciso mostrar.

Consulesa: “Você e seu noivo moram juntos?”

Eu: “Ainda não”. Ela deu uma risadinha.

Consulesa: “Você mora com seus pais?.

Eu: “Sim”.

Consulesa: “O que eles fazem?”

Eu: “Meu pai é produtor de cinema e minha mãe é estilista”.

Consulesa: “Estilista de quê? Achei estranho tantas perguntas, mas incrivelmente tudo parecia informal, uma conversa entre amigos.Haviam me orientado para responder só o essencial, só o que me perguntassem, mas ela puxava papo, entrei na dança.

Eu: “Infantil”.

Consulesa: “ Que interessante. Seu namorado também mora com os pais?”

Eu: “Sim, com os pais dele. Somos recém-formados. Eu estou na segunda faculdade e ele faz residência”.

Ela saiu. Esperei uns 15s, os mais longos da minha vida. Quando voltou, disse sorrindo: “Bruna, seu visto foi aprovado, boa viagem!”. Respirei aliviadíssima! Respondi “Obrigada. Bom dia” e saí feliz da vida para esperar o Vítor. O passaporte ficou com ela, lógico, para emissão do visto.

Quero deixar claro que o único documento que ela me pediu foi o passaporte do tinho. De resto, eu fui mostrando tudo, antes que ela me pedisse. Em momento algum mencionou saldo de banco, sendo que eu levei saldo das minhas duas contas, dos dois últimos meses e do Visa Travel. Quanto mais documentos você levar e for mostrando, melhor.

Mandaram-me seguir a linha laranja. Sim, agora era laranja. E o Vítor estava demorando……muito. Voltei a ficar nervosa. Um oficial me mandou sair dali, porque eu não poderia esperar ali. Sendo que “ali” não atrapalhava nada, era um espaço vazio, longe dos guichês. Babaca. Saí e esperei. Ele demorou ainda. Ai, finalmente, veio. Bem sério. Aí abriu um sorrisão. Babaca (2). Hahahahha. Ele me disse que demorou porque o equipamento do cônsul-bonitão estava com problemas, e que ele só perguntou motivo da viagem, cidade, se ele trabalhava, o quanto ganhava e comprovante de saldo.

Comemoramos, saímos seguindo a linha laranja, pegamos outra fila (que fica do lado da fila de entrada, onde passamos pelo detector de metais), pagamos o Sedex de R$ 40,00 no último guichê e saímos felizes da vida, às 10:15 da manhã – rápido, não? Também me espantei!- pra almoçar na casa da minha prima, ali perto, na Chácara Flora.

Comentários finais: depois da odisséia aqui narrada, quero dizer que muito do que li na internet me deixou mais apreensiva. Em parte, por minha culpa, pois eu só procurava relatos de vistos negados. Foi tudo muito tranqüilo, mesmo. Acho que o meu nervosismo só me ajudou a juntar mais documentos. Fui muito bem atendida e as consulesas foram de uma educação ímpar.

Conselho: juntem tudo o que puderem, extratos, comprovantes de vínculos fortes (bens, IR, matrículas…), falem a verdade e vão com calma. Tudo se resolve.

Tudo o que comentei aqui é válido para visto de turismo. Para outros, não sei opinar sobre.